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O mundo em preto e branco

Uma única crítica chega e de repente você é ruim no seu trabalho. Uma boa semana aparece e tudo finalmente está resolvido. As duas conclusões chegaram…


Uma única crítica chega e de repente você é ruim no seu trabalho. Uma boa semana aparece e tudo finalmente está resolvido. As duas conclusões chegaram instantaneamente. As duas pularam o meio inteiro.

O pensamento tudo ou nada é a tendência de classificar experiências em duas categorias extremas, sem nada entre elas. Aaron Beck o identificou nos anos 1960 como uma das distorções cognitivas centrais na Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT). Bom ou ruim. Sucesso ou fracasso. Sempre ou nunca.

Parece decisivo. Simplifica um mundo barulhento. Mas também é distorcido.

O que a pesquisa mostra

Categorias binárias são cognitivamente baratas, e é por isso que o seu cérebro recorre a elas por padrão. Mas um ensaio controlado na University of Cambridge descobriu que esse estilo de pensamento absolutista não era apenas uma característica da depressão. Ele previa quem teria recaída após o fim do tratamento. A Terapia Cognitivo-Comportamental reduziu recaídas especificamente ao reduzir o pensamento dicotômico (Dichotomous Thinking), o nome clínico para o pensamento tudo ou nada. O padrão era uma vulnerabilidade, não apenas um sintoma.

Um estudo que analisou a linguagem em 63 fóruns de saúde mental online, cobrindo mais de 6.400 membros, confirmou a conexão por outro ângulo. Pessoas em comunidades de ansiedade e depressão usavam cerca de 50% mais palavras absolutistas ("sempre", "nunca", "completamente") do que os grupos de controle. Em fóruns de ideação suicida, esse número subia para 80%. Mesmo em fóruns de recuperação, a linguagem absolutista continuava elevada, sugerindo que o estilo de pensamento pode durar mais do que o humor que o alimentou.

Encontrando o espaço entre os extremos

  • Identifique as palavras-sinal. "Sempre", "nunca", "arruinado", "perfeito." Esse é o vocabulário do binário. Quando você ouvir uma delas, faça uma pausa e pergunte: isso é literalmente verdade, ou meu cérebro está exagerando?
  • Coloque um número. "Esse dia foi terrível" vira "cerca de 30% do dia foi difícil." Porcentagens forçam a nuance a voltar para o quadro.
  • Pratique o "e". Você pode estar enfrentando dificuldades no trabalho e ainda assim ser competente. Você pode amar alguém e estar frustrado com essa pessoa. "E" substitui "ou." A maior parte da realidade não cabe direitinho em duas caixas. O pensamento tudo ou nada insiste que cabe. Perceber esse momento — quando o seu cérebro apaga o meio — é o primeiro passo para enxergar o que realmente está ali.
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Referências

  1. Beck, A. T. (1963). Thinking and depression: I. Idiosyncratic content and cognitive distortions. Archives of General Psychiatry, 9(4), 324–333. https://doi.org/10.1001/archpsyc.1963.01720160014002
  2. Teasdale, J. D., Scott, J., Moore, R. G., Hayhurst, H., Pope, M., & Paykel, E. S. (2001). How does cognitive therapy prevent relapse in residual depression? Evidence from a controlled trial. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 69(3), 347–357. https://doi.org/10.1037/0022-006X.69.3.347
  3. Al-Mosaiwi, M., & Johnstone, T. (2018). In an absolute state: Elevated use of absolutist words is a marker specific to anxiety, depression, and suicidal ideation. Clinical Psychological Science, 6(4), 529–542. https://doi.org/10.1177/2167702617747074