Três da manhã, totalmente acordado, repassando uma conversa de seis horas atrás. Seu corpo está tenso. Sua frequência cardíaca está alta. Nada está realmente errado, mas o seu cérebro decidiu o contrário. Se isso parece familiar, existe uma razão.
Um atalho feito para a sobrevivência
O seu cérebro processa ameaças por duas rotas. A rápida envia informações sensoriais diretamente para a amígdala, uma pequena estrutura que funciona como o seu sistema de alarme. Essa rota dispara em cerca de 12 milissegundos, antes de você perceber conscientemente o que o assustou.
A rota mais lenta passa pelo córtex pré-frontal (Prefrontal Cortex), o centro de raciocínio e contexto do seu cérebro. Leva cerca de 300 milissegundos. Quando ele entra em ação, o alarme já soou.
Todo cérebro funciona assim. Foi isso que manteve os seus antepassados vivos. Mas a vida moderna inunda o sistema com alarmes falsos, e não existe botão de desligar. Uma entrevista de emprego que está por vir ativa a mesma resposta de estresse que um predador se aproximando.
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Você não pode impedir o alarme de disparar, mas pode treinar o seu cérebro para se recuperar mais rápido.
Em 48 estudos de neuroimagem, um padrão aparecia repetidamente. Quando as pessoas praticavam a reavaliação cognitiva (Cognitive Reappraisal), a atividade na amígdala diminuía. Reavaliação cognitiva significa reenquadrar uma situação para mudar o que você sente a respeito. É uma das estratégias centrais da Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT) de Aaron Beck.
- Dê nome ao gatilho. "Estou preocupado com a apresentação de sexta-feira." Colocar a preocupação em uma frase específica ativa o seu córtex pré-frontal e enfraquece a resposta de alarme.
- Teste a previsão. A preocupação geralmente é uma previsão disfarçada de fato. Pergunte a si mesmo: "Qual é a evidência real de que isso vai acontecer?" A maioria das preocupações não sobrevive a essa pergunta.
- Escreva. Coloque o pensamento ansioso em palavras. Pesquisas mostram que isso produz uma redução duradoura da ansiedade. Tirar da cabeça dá ao seu cérebro menos material para ficar remoendo.
Ponto-chave
A preocupação é rápida, automática e quase sempre mais barulhenta do que precisa ser. Da próxima vez que você estiver olhando para o teto às três da manhã, dê nome à preocupação, questione a lógica dela ou escreva. É assim que você deixa o seu cérebro mais lento e mais inteligente alcançar o ritmo.