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Pensamentos não são fatos

"Eu vou fracassar nisso." O pensamento chega completamente formado, sem nenhuma evidência, e o seu corpo reage como se já fosse verdade. Seu peito aperta. Seu…


"Eu vou fracassar nisso." O pensamento chega completamente formado, sem nenhuma evidência, e o seu corpo reage como se já fosse verdade. Seu peito aperta. Seu foco se estreita. Quando você percebe o que aconteceu, o pensamento já moldou como você se sente.

Por que parecem tão reais

Na terapia cognitivo-comportamental (CBT), esses são chamados de pensamentos automáticos. Eles surgem rápido, carregam emoção forte e passam direto pelo filtro de evidências do seu cérebro. Ter esses pensamentos não é um defeito. Todo cérebro faz isso.

Aaron Beck, o fundador da terapia cognitivo-comportamental (CBT), identificou que a maioria dos pensamentos automáticos segue padrões previsíveis chamados distorções cognitivas: armadilhas do pensamento como assumir que o pior vai acontecer, ler a mente dos outros ou tratar um resultado ruim como prova de que tudo vai dar errado.

Um pensamento como "todo mundo está me julgando" parece um fato porque o seu cérebro não o marca para revisão. Ele chega com urgência, e urgência parece verdade.

Afrouxando o aperto

Questionar um pensamento funciona. Mas algo mais simples também funciona: dar um passo para trás.

Uma técnica da terapia de aceitação e compromisso (ACT) chamada defusão cognitiva (Cognitive Defusion) usa uma abordagem diferente. Em um estudo, pessoas que repetiram uma palavra angustiante em voz alta rapidamente por 30 segundos descobriram que a palavra perdeu sua carga emocional. A credibilidade caiu mais do que com distração ou com a tentativa de forçar o pensamento a ir embora.

Você nem sempre precisa discutir com um pensamento para enfraquecê-lo. Às vezes, reconhecê-lo como um pensamento, em vez de como realidade, é suficiente. Parece fácil, mas na prática isso exige um pouco de estrutura.

  1. Perceber e rotular. Quando um pensamento negativo aparece, adicione o prefixo: "Eu estou tendo o pensamento de que..." Essa reformulação cria distância entre você e o pensamento em si.
  2. Verificar a armadilha. Esse pensamento está prevendo o futuro? Assumindo o pior? Tratando um momento ruim como prova de um padrão? Nomear o que o pensamento está fazendo torna mais fácil questioná-lo.
  3. Deixar passar. Nem todo pensamento precisa de uma resposta. Perceba-o, rotule-o silenciosamente como "pensamento" e traga sua atenção de volta para o que você pode ver ou ouvir ao seu redor.

O principal

Da próxima vez que seu peito apertar e um pensamento tentar se passar por verdade, esse aperto é informação, não prova.

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Referências

  1. Beck, J. S., & Fleming, S. (2021). A brief history of Aaron T. Beck, MD, and cognitive behavior therapy. Clinical Psychology in Europe, 3(2), e6701. https://doi.org/10.32872/cpe.6701
  2. Masuda, A., Hayes, S. C., Sackett, C. F., & Twohig, M. P. (2004). Cognitive defusion and self-relevant negative thoughts: Examining the impact of a ninety year old technique. Behaviour Research and Therapy, 42(4), 477–485. https://doi.org/10.1016/j.brat.2003.10.008
  3. Masuda, A., Hayes, S. C., Twohig, M. P., Drossel, C., Lillis, J., & Washio, Y. (2009). A parametric study of cognitive defusion and the believability and discomfort of negative self-relevant thoughts. Behavior Modification, 33(2), 250–262. https://doi.org/10.1177/0145445508326259
  4. Chand, S. P., Kuckel, D. P., & Huecker, M. R. (2023, May 23). Cognitive behavior therapy. In StatPearls. StatPearls Publishing.