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O que o trabalho de sombra realmente é

Alguém te fecha no trânsito e a raiva que dispara por você parece pertencer a outra pessoa. Mas não pertence. Ela pertence a uma parte sua que aprendeu, há…


Alguém te fecha no trânsito e a raiva que dispara por você parece pertencer a outra pessoa. Mas não pertence. Ela pertence a uma parte sua que aprendeu, há muito tempo, a ficar escondida.

As redes sociais chamam isso de trabalho de sombra (Shadow Work). O conceito tem quase um século e é mais fundamentado do que os infográficos estéticos sugerem.

De onde vem a sombra

Carl Jung criou o termo sombra (Shadow) para descrever cada traço e emoção que sua mente consciente colocou de lado. Não porque essas partes sejam ruins, mas porque em algum momento da infância você aprendeu que elas não eram bem-vindas.

Assertividade foi rotulada como egoísmo. Raiva foi punida. Tristeza foi ignorada.

Essas qualidades não desapareceram. Elas se mudaram para o que Jung chamou de inconsciente, a camada da sua mente que opera fora da consciência.

A sombra também abriga criatividade, ambição e necessidades que você aprendeu a esconder. O trabalho de sombra é perceber o que você enterrou e escolher se relacionar com isso em vez de fugir.

O que a supressão custa

Um estudo de personalidade com mais de 1.000 adultos descobriu que pessoas que suprimem habitualmente relatam mais emoções negativas, menos emoções positivas e conexões sociais mais fracas.

Os traços que você empurra para longe não ficam quietos. Eles vazam como ressentimento, autossabotagem ou entorpecimento.

Como começar

Você não precisa de um diário de trabalho de sombra da internet. Você precisa de atenção honesta.

  1. Perceba a carga. Na próxima vez que sentir um lampejo de julgamento ou inveja, anote a qualidade que te incomodou. Depois pergunte: isso é algo que me ensinaram a suprimir?
  2. Nomeie o que era proibido. Faça uma lista das emoções ou comportamentos desencorajados na sua casa quando você estava crescendo. Essa lista é um mapa da sua sombra.
  3. Dê trinta segundos. Quando um sentimento indesejado surgir, deixe-o ficar por trinta segundos sem explicar ou empurrar para longe. Essa janela de não resistência é onde a integração começa. Quando você se reconecta com o que enterrou, a experiência comum não é o caos. É alívio.
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Referências

  1. Jung, C. G. (1951). Aion: Researches into the phenomenology of the self. Princeton University Press.
  2. Gross, J. J., & John, O. P. (2003). Individual differences in two emotion regulation processes: Implications for affect, relationships, and well-being. Journal of Personality and Social Psychology, 85(2), 348–362. https://doi.org/10.1037/0022-3514.85.2.348
  3. Perry, C. (2008). The Jungian shadow. Society of Analytical Psychology.