Você repassa a reunião de amanhã na sua cabeça pela terceira vez. Isso é preparação ou só ansiedade em looping?
A maioria das pessoas trata toda preocupação como inimiga. Mas a pesquisa traça uma linha clara entre dois tipos.
Dois loops muito diferentes
A preocupação produtiva foca em um problema específico sobre o qual você pode agir agora. Ela soa como planejamento: "Preciso preparar aquela apresentação" ou "Deveria ligar para o médico." Você age, e a preocupação vai embora.
A preocupação improdutiva gira em espiral por cenários hipotéticos que você não pode controlar. "E se eu fracassar e perder tudo?" Ela gera ansiedade, mas não produz nenhum próximo passo, e mesmo assim parece impossível parar. Pesquisas com pessoas cronicamente preocupadas descobriram que esse tipo de preocupação repetitiva compete ativamente pela memória de trabalho (working memory) (o espaço de pensamento de curto prazo do seu cérebro), reduzindo sua capacidade de pensar justamente nos problemas que estão te preocupando.
E piora. Se preocupar com suas preocupações (o que os pesquisadores chamam de metapreocupação (meta-worry)) pode se tornar uma armadilha por si só. Em estudos sobre ansiedade generalizada, as crenças negativas sobre a preocupação em si se mostraram um motor de ansiedade mais forte do que as preocupações originais.
O tema não determina o tipo. Você pode se preocupar com a mesma prova de forma produtiva ("Vou revisar o capítulo três hoje à noite") ou improdutiva ("E se eu reprovar e arruinar meu futuro?"). O que importa é se a preocupação leva a algum lugar.
A pergunta para classificar
Da próxima vez que se pegar preocupado, pergunte: "Eu posso fazer algo sobre isso hoje?"
- Se sim, transforme em uma tarefa. Converta a preocupação em uma ação específica. "Preparar três slides para amanhã." Anote. Uma vez que você tem um próximo passo, a preocupação cumpriu seu papel.
- Se não, dê nome ao loop. Diga para si mesmo: "Isso é uma espiral de 'e se', não uma lista de tarefas." Você não precisa resolver isso. Escolha algo que você possa ver ou tocar e descreva para si mesmo. Isso é suficiente para quebrar o loop. O objetivo não é parar de se preocupar por completo. É classificar. Fique com as preocupações que levam à ação. Deixe as demais perderem a força assim que você as enxergar pelo que realmente são.