Um acidente de carro. Uma zona de combate. Uma agressão violenta. Quando a maioria das pessoas ouve "trauma", essas são as imagens que vêm à mente.
Mas a pesquisa aponta para algo bem menos dramático e bem mais comum.
Não é sobre o evento
A definição clínica de trauma se concentrou por muito tempo em eventos que ameaçam a vida. Mas o que torna uma experiência traumática não é a gravidade dela no papel. É se a experiência sobrecarregou a capacidade do seu sistema nervoso de lidar com a situação.
Os profissionais agora distinguem entre duas categorias:
- Trauma com T maiúsculo (Big-T Trauma). Eventos que ameaçam a vida ou a segurança: acidentes, violência, desastres naturais.
- Trauma com t minúsculo (Small-t Trauma). Experiências que excedem a sua capacidade de processar: críticas constantes, negligência emocional, assédio no trabalho, humilhações repetidas. Os eventos com t minúsculo podem parecer insignificantes isoladamente. Mas a pesquisa sobre estresse cumulativo descobriu que a exposição repetida pode causar mais dano psicológico do que um único evento catastrófico.
O que acontece no seu cérebro
Quando uma experiência sobrecarrega o seu sistema, um estudo de neurociência sobre transtornos relacionados ao trauma descobriu que a informação sensorial inunda o tronco encefálico, que controla as respostas básicas de sobrevivência, antes que as áreas de pensamento superior consigam organizá-la. A memória é codificada como sensação e emoção brutas, em vez de uma narrativa coerente.
É por isso que o trauma muitas vezes aparece primeiro no corpo. Tensão muscular. Um estômago embrulhado. Um congelamento repentino.
Pesquisas com sobreviventes de trauma encontram consistentemente relatos de desconexão do eu, como se estivessem se observando de fora. Isso não são fracassos pessoais. É um sistema nervoso preso em um modo de proteção que ele não precisa mais.
O que você pode fazer
- Perceba o sinal do corpo. Quando uma onda de tensão, medo ou bloqueio chegar, dê nome ao que o seu corpo está fazendo: "Meu peito acabou de apertar" ou "Fiquei entorpecido." Nomear a resposta física é o primeiro passo para reconhecer um padrão.
- Reformule a pergunta. Quando se pegar pensando "Não foi tão grave assim", substitua por "Isso me sobrecarregou?" Você não precisa de uma resposta definitiva. Só deixar a pergunta existir já muda a sua relação com a experiência.