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Wired Differently Not Wired Wrong

Uma etiqueta na camiseta não deveria estragar a sua manhã. Uma luz fluorescente não deveria fazer um ambiente parecer hostil. Mas se o seu cérebro processa…


Uma etiqueta na camiseta não deveria estragar a sua manhã. Uma luz fluorescente não deveria fazer um ambiente parecer hostil. Mas se o seu cérebro processa informações sensoriais de forma diferente, essas não são irritações pequenas. São a sua realidade diária.

Sentidos em outra sintonia

As diferenças no processamento sensorial (Sensory Processing Differences) são tão centrais para o autismo que o DSM-5, o manual diagnóstico padrão para condições de saúde mental, as incluiu como critério em 2013. Pesquisas populacionais estimam que aproximadamente três em cada quatro crianças autistas apresentam diferenças notáveis, desde hipersensibilidade (luzes que parecem ofuscantes, texturas que parecem insuportáveis) até hipossensibilidade (não registrar dor ou temperatura da mesma forma que os outros).

Estudos de neuroimagem rastreiam essas diferenças até regiões cerebrais dedicadas ao processamento sensorial. Os sinais não estão errados. Estão calibrados de forma diferente.

A lacuna de empatia vai nos dois sentidos

Por décadas, a pesquisa enquadrou as diferenças sociais autistas como um problema unilateral: pessoas autistas não conseguiam entender os outros. O problema da dupla empatia (Double Empathy Problem), um modelo proposto por um pesquisador autista em 2012, inverteu essa suposição. Quando duas pessoas vivenciam o mundo de formas muito diferentes, o mal-entendido flui nas duas direções.

Um estudo em que mais de 100 observadores não autistas avaliaram conversas gravadas descobriu que pares mistos de pessoas autistas e não autistas foram classificados como os menos fluidos. Pares autistas e pares não autistas? Classificados de forma praticamente igual. O atrito não era o déficit de um grupo. Era a distância entre estilos de comunicação.

O que você pode fazer

  1. Perceba o desencontro. Quando uma conversa parecer estranha, faça uma pausa antes de decidir que alguém está fazendo errado. Vocês podem simplesmente se comunicar de formas diferentes.
  2. Ajuste o ambiente. Se alguém perto de você está sobrecarregado por barulho ou luz, mude o ambiente antes de pedir que a pessoa aguente. Abaixe o volume. Vá para um espaço mais tranquilo.
  3. Pergunte diretamente. "Você prefere mandar mensagem em vez de ligar?" ou "Esse ambiente está bom para você?" Perguntas diretas respeitam a diferença em vez de tentar adivinhar. O autismo não é uma versão quebrada da fiação típica. É um sistema operacional sensorial e social diferente, e entender isso muda a forma como todos se conectam.
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Referências

  1. Kirby, A. V., Bilder, D. A., Wiggins, L. D., Hughes, M. M., Davis, J., Hall-Lande, J. A., Lee, L.-C., Pettygrove, S., & Bakian, A. V. (2022). Sensory features in autism: Findings from a large population-based surveillance system. Autism Research, 15(4), 751–760. https://doi.org/10.1002/aur.2670
  2. Jones, D. R., Botha, M., Ackerman, R. A., King, K., & Sasson, N. J. (2024). Non-autistic observers both detect and demonstrate the double empathy problem when evaluating interactions between autistic and non-autistic adults. Autism, 28(8), 2074–2086. https://doi.org/10.1177/13623613231217809
  3. Milton, D. E. M. (2012). On the ontological status of autism: The 'double empathy problem.' Disability & Society, 27(6), 883–887. https://doi.org/10.1080/09687599.2012.710008
  4. Marco, E. J., Hinkley, L. B., Hill, S. S., & Nagarajan, S. S. (2011). Sensory processing in autism: A review of neurophysiologic findings. Pediatric Research, 69(5 Pt 2), 48R–54R. https://doi.org/10.1203/PDR.0b013e3182130c54