A maioria das pessoas absorve uma regra silenciosa cedo: lidar com as coisas sozinho significa que você é forte, e precisar de ajuda significa que não é. Parece razoável até você perceber que isso mantém milhões de pessoas travadas.
A verdadeira barreira
O maior obstáculo para começar a terapia não é o custo nem o acesso. É o estigma. O estigma público é o que você assume que os outros vão pensar: que você é quebrado ou fraco. O autoestigma é o que acontece quando você volta essas crenças para dentro e concorda com elas.
Uma revisão sistemática de 144 estudos constatou que o estigma consistentemente impedia as pessoas de buscar ajuda, especialmente homens, jovens adultos e minorias étnicas.
O efeito "pra quê tentar"
O autoestigma segue um caminho previsível. Você se torna consciente dos estereótipos sobre doenças mentais. Depois concorda com eles. Depois os aplica a si mesmo. O estágio final é o que os pesquisadores chamam de efeito "pra quê tentar" (Why Try): a autoestima cai tanto que buscar ajuda parece inútil. "Eu não preciso de terapia" silenciosamente se torna "Eu não mereço ser ajudado."
Um estudo longitudinal de dois anos descobriu que o autoestigma previa uma recuperação pior tanto no primeiro quanto no segundo ano, independentemente da gravidade dos sintomas.
O que você pode fazer agora mesmo
- Nomeie uma pessoa. Pense em alguém que você respeita e que foi aberto sobre fazer terapia. Pesquisas mostram que o contato com alguém que buscou ajuda é o redutor de estigma mais poderoso. Se ninguém vier à mente, perceba o que esse silêncio diz a você.
- Reescreva a frase. Complete no papel: "Ir para a terapia significa que eu sou ___." Observe o que preenche o espaço. Depois reescreva: "Ir para a terapia significa que eu estou aprendendo ___." A Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT) é explicitamente projetada como treinamento de habilidades, não como confissão.
- Escreva uma mensagem. Redija uma única frase que você poderia enviar para alguém em quem confia. Você não precisa enviar. Colocar em palavras quebra o silêncio interno do qual o autoestigma depende.
Pedir apoio não é o oposto de força. Para a maioria das pessoas, é a escolha mais difícil.