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O silêncio que os homens aprendem

Quatro vezes. Essa é a probabilidade que os homens têm de morrer por suicídio em comparação com as mulheres, mesmo relatando taxas mais baixas de depressão. A…


Quatro vezes. Essa é a probabilidade que os homens têm de morrer por suicídio em comparação com as mulheres, mesmo relatando taxas mais baixas de depressão. A diferença não está em sentir menos. Está em dizer menos.

De onde vem o silêncio

Uma meta-análise de 78 estudos com mais de 19.000 participantes descobriu que a conformidade com as normas masculinas tradicionais estava moderada e desfavoravelmente ligada à disposição de buscar ajuda psicológica. A norma que previa os piores resultados não era a agressividade ou a dominância. Era a autossuficiência (Self-Reliance) — a crença de que você deveria resolver seus problemas sozinho.

Se você cresceu aprendendo que força significava silêncio, você não está quebrado por acreditar nisso. Você foi ensinado assim. Seis milhões de homens nos Estados Unidos vivenciam depressão a cada ano, mas os homens têm uma probabilidade significativamente menor de buscar tratamento. Em vez disso, têm duas a três vezes mais chance de recorrer ao álcool ou ao abuso de substâncias. O sofrimento não desaparece. Ele muda de caminho.

Múltiplas camadas de estigma reforçam o padrão: o que os outros vão pensar, o que você pensa de si mesmo por estar sofrendo, como os profissionais respondem e o que a sua comunidade considera aceitável. Essas camadas se acumulam até que o silêncio pareça ser a única opção.

O que está mudando

O padrão não é permanente. A pesquisa sobre redução de estigma mostra que quando você ouve alguém que respeita falar abertamente sobre suas dificuldades, muda o que parece possível. Campanhas que reformulam pedir apoio como força, em vez de uma falha de autossuficiência, mostram efeitos mensuráveis.

A autocompaixão (Self-Compassion) também desempenha um papel protetor. Estudos mostram que ela amortece a relação entre normas masculinas rígidas e a vergonha que impede você de pedir ajuda.

O que você pode tentar

  1. Dê nome a um sentimento hoje. Escolha um momento em que algo te incomoda e coloque uma palavra específica, mesmo que em silêncio. "Eu me sinto ignorado." "Eu me sinto sobrecarregado." A precisão importa mais do que quem ouve.
  2. Fale consigo mesmo como falaria com um amigo. Quando perceber o pensamento "eu deveria dar conta disso sozinho", pergunte o que você diria a alguém que te importa na mesma situação. Escreva essa resposta.
  3. Abaixe a primeira barreira. Se buscar ajuda parece grande demais, comece menor. Salve o contato de um terapeuta. Você não precisa ligar hoje. O silêncio que você aprendeu é real. Mas é aprendido, o que significa que a próxima conversa não precisa seguir as regras antigas.
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Referências

  1. Wong, Y. J., Ho, M.-H. R., Wang, S.-Y., & Miller, I. S. K. (2017). Meta-analyses of the relationship between conformity to masculine norms and mental health-related outcomes. Journal of Counseling Psychology, 64(1), 80–93. https://doi.org/10.1037/cou0000176
  2. Chatmon, B. N. (2020). Males and mental health stigma. American Journal of Men's Health, 14(4). https://doi.org/10.1177/1557988320949322
  3. Mokhwelepa, L. W., & Sumbane, G. O. (2025). Men's mental health matters: The impact of traditional masculinity norms on men's willingness to seek mental health support; a systematic review of literature. American Journal of Men's Health. https://doi.org/10.1177/15579883251321670