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O que a autocompaixão realmente significa

Você nunca olharia para um amigo que acabou de fracassar e diria: "Você merece se sentir péssimo com isso." Mas a voz dentro da sua cabeça não tem nenhum…


Você nunca olharia para um amigo que acabou de fracassar e diria: "Você merece se sentir péssimo com isso." Mas a voz dentro da sua cabeça não tem nenhum problema em dizer isso para você.

Essa distância, entre como você trata os outros e como trata a si mesmo, é exatamente onde vive a autocompaixão (self-compassion). A maioria das pessoas acha que isso significa pegar leve consigo mesmo. A pesquisa conta uma história diferente.

As três partes

Os psicólogos dividem a autocompaixão em três partes conectadas:

  • Gentileza consigo mesmo. Responder à sua própria dor ou fracasso com acolhimento em vez de julgamento severo. O mesmo tom que você usaria com alguém de quem gosta.
  • Humanidade compartilhada. Reconhecer que o sofrimento é universal, e não uma prova de que algo está errado especificamente com você. Todo mundo fica devendo em algum momento.
  • Atenção plena. Perceber os sentimentos dolorosos sem ser arrastado por eles. Você reconhece a dor sem construir uma catástrofe em volta dela.

O que surpreendeu os pesquisadores

Um grande estudo de personalidade com mais de 2.000 pessoas comparou autocompaixão com autoestima. A autoestima sobe e desce a cada sucesso ou rejeição. A autocompaixão permaneceu estável porque nunca esteve ligada a ganhar ou perder.

O medo de que ser gentil consigo mesmo mata a motivação? A pesquisa sobre motivação acadêmica encontrou o oposto: estudantes universitários autocompassivos buscavam metas de domínio (mastery goals) — aprender pelo prazer de aprender — em vez de metas de desempenho, e se mantinham mais engajados depois de receberem uma nota ruim.

Tente isso

  1. Reescreva o roteiro. Escreva a última coisa dura que sua voz interior disse depois de um erro. Embaixo, escreva o que você mandaria de mensagem para um amigo que tivesse dito a mesma coisa sobre si mesmo. Perceba a diferença no tom.
  2. Encontre o "eu também." Quando se pegar se sentindo isolado no seu sofrimento, nomeie uma pessoa que você conhece que enfrentou algo parecido. Você não precisa entrar em contato. Só lembrar já muda a perspectiva.
  3. Pause antes da espiral. Quando a autocrítica começar a crescer, coloque a mão no peito e diga: "Todo mundo luta com isso." A experiência compartilhada já está embutida na frase.

Ponto-chave

Cada vez que você percebe a voz dura e escolhe uma mais gentil, está construindo a forma mais estável de autoestima que os pesquisadores já encontraram.

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Referências

  1. Neff, K. D., & Vonk, R. (2009). Self-compassion versus global self-esteem: Two different ways of relating to oneself. Journal of Personality, 77(1), 23–50. https://doi.org/10.1111/j.1467-6494.2008.00537.x
  2. Neff, K. D. (2023). Self-compassion: Theory, method, research, and intervention. Annual Review of Psychology, 74, 193–218. https://doi.org/10.1146/annurev-psych-032420-031047
  3. Neff, K. D., Hsieh, Y.-P., & Dejitterat, K. (2005). Self-compassion, achievement goals, and coping with academic failure. Self and Identity, 4(3), 263–287. https://doi.org/10.1080/13576500444000317