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Como a terapia realmente funciona

A maioria das pessoas imagina um divã de couro e silêncios prolongados. Se a ideia de conversar com um desconhecido sobre a sua vida interior parece…


A maioria das pessoas imagina um divã de couro e silêncios prolongados. Se a ideia de conversar com um desconhecido sobre a sua vida interior parece desconfortável, essa é uma reação completamente normal. A realidade é muito mais prática do que dramática.

Uma primeira sessão típica é basicamente logística e curiosidade. O seu terapeuta vai perguntar o que trouxe você ali e o que você espera mudar. Você não vai receber um diagnóstico na hora. É mais parecido com uma conversa focada com alguém treinado para ouvir de um jeito específico.

Por que o relacionamento é o que mais importa

A pesquisa em psicoterapia continua chegando à mesma conclusão: o tipo específico de terapia importa menos do que você imagina. Uma meta-análise estimou que as técnicas específicas respondem por apenas cerca de 17% do que impulsiona a melhora. O restante se resume ao que os pesquisadores chamam de fatores comuns (Common Factors): os ingredientes compartilhados por todas as abordagens eficazes.

O maior fator comum é a aliança terapêutica (Therapeutic Alliance). Ela tem três componentes: metas compartilhadas (no que você está trabalhando), tarefas combinadas (os métodos usados para chegar lá) e um vínculo genuíno de confiança. Uma meta-análise de quase 200 estudos descobriu que a força da aliança previa os resultados de forma mais confiável do que se a pessoa estava fazendo Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT), terapia psicodinâmica ou qualquer outra modalidade.

O sinal precoce

Um estudo que acompanhou pessoas ao longo de uma terapia breve encontrou um padrão revelador. Entre aqueles que melhoraram, a sensação de conexão com o terapeuta cresceu entre a primeira e a terceira sessão. Entre aqueles com resultados ruins, diminuiu. Aquela sensação inicial de "essa pessoa me entende" não é apenas reconfortante. É um preditor clínico.

Antes de ir

  1. Faça um check-in consigo mesmo cedo. Depois das primeiras sessões, pergunte a si mesmo: "Eu me sinto compreendido por essa pessoa?" A sua impressão instintiva sobre isso é clinicamente significativa.
  2. Dê nome ao que parece errado. Se algo não está fluindo, tente colocar em palavras. "Não me sinto seguro para ser honesto aqui" dá ao seu terapeuta algo concreto para trabalhar.
  3. Dê três sessões de chance. O sinal da aliança aparece cedo. Três sessões são suficientes para perceber se essa relação tem potencial.
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Referências

  1. Bordin, E. S. (1979). The generalizability of the psychoanalytic concept of the working alliance. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, 16(3), 252–260. https://doi.org/10.1037/h0085885
  2. Horvath, A. O., Del Re, A. C., Flückiger, C., & Symonds, D. (2011). Alliance in individual psychotherapy. Psychotherapy, 48(1), 9–16. https://doi.org/10.1037/a0022186
  3. Cuijpers, P., Reijnders, M., & Huibers, M. J. H. (2019). The role of common factors in psychotherapy outcomes. Annual Review of Clinical Psychology, 15, 207–231. https://doi.org/10.1146/annurev-clinpsy-050718-095424
  4. Ardito, R. B., & Rabellino, D. (2011). Therapeutic alliance and outcome of psychotherapy: Historical excursus, measurements, and prospects for research. Frontiers in Psychology, 2, 270. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2011.00270